• Dr Aidê Fernandes

Quando a mente não se desenvolve adequadamente.



Infelizmente algumas pessoas, e por motivos diversos, não conseguem desenvolver sua capacidade mental de forma adequada. Óbvio que estas causas interferem nesse processo desde os primeiros anos de vida até a adolescência, sendo que quanto mais cedo o surgimento da ocorrência, interferindo no desenvolvimento, mais grave será o comprometimento da adaptação deste sujeito à vida adulta. De uma maneira geral as causas incluem condições genéticas, exposições no pré-natal (antes do nascimento), trauma perinatal (durante o parto), condições clínicas adquiridas e condições socioculturais, sendo que, na maioria das vezes a descoberta específica da causa não garante uma boa evolução e/ou boa resposta ao tratamento dado.

O processo é irreversível, portanto, independentemente da causa cabe à busca da melhor qualidade de vida possível. Eis ai a grande questão e causa do sofrimento destas pessoas: como adaptar-se a uma sociedade que nem sempre acolhe os diferentes, principalmente se nessa diferença houver uma deficiência e/ou incompetência estabelecida? Como podemos nos relacionar com estes sujeitos de forma que, apesar de suas singularidades, possamos fazer trocas adequadas em todos os sentidos? Qual o papel dos familiares e/ou cuidadores?

Atualmente o termo mais aceito para essa característica psíquica é “retardo mental”. Saliente-se que não estamos falando de um transtorno propriamente dito e sim num atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Obviamente que há uma fragilidade psíquica inerente e uma maior probabilidade do surgimento de problemas.Mesmo assim alguns sujeitos (aqueles com leve atraso) até conseguem chegar à vida adulta sem uma doença mental propriamente dita, por exemplo, alguns portadores de Síndrome de Down (desde que bem aceitos pela família e amigos, estimulados adequadamente desde a primeira infância e com uma boa inserção social).Por outro lado, cabe dizer que esta ainda é uma situação rara, pois, conforme já dito, acolhimento não costuma ser nossa prerrogativa social na convivência com os diferentes “da maioria”.

Principais sinais e sintomas:

Conforme o nível de comprometimento o retardo será chamado de “leve”, “moderado”, “severo” ou “profundo”. Esta classificação se dá conforme a capacidade de adaptação ao meio social, ou seja, desde o “leve” que consegue alguma autonomia e boa adaptação até o “profundo” que não adquire nenhuma autonomia e depende do outro para todas as atividades da vida diária.Sendo assim a evolução e o prognóstico dependera, também, desse nível de comprometimento. Os principais sinais clínicos, por faixa etária, são:

1. Em crianças – atraso no desenvolvimento usual do caminhar, problemas motores, dificuldades para falar, treinamento de esfíncteres, atividades escolares, interação com outras crianças, dificuldades de aprendizagem, problemas de comportamento, incompreensão de ordens simples e consequente desobediência às regras na educação.

2. Em adolescentes – dificuldades com os companheiros, comportamento sexual inadequado, atividades escolares bastante atrasadas e/ou repetições constantes, incompreensão de regras sociais e consequentes distúrbios de conduta e desobediências aos familiares.

3. Em adultos – dificuldades de funcionamento diário (em várias atividades simples da vida diária), problemas com o desenvolvimento social normal (emprego, casamento, criação de filhos, etc.), incapacidade de conclusão de projetos simples, comportamentos infantis e inadequados.

Além destes, de uma maneira geral (em todas as fases da vida) costumam ter déficit de atenção e concentração, hiperatividade, irritabilidade e/ou limiar de frustração rebaixado, predisposição maior para os transtornos mentais comorbidos (depressão, ansiedade, surtos, etc.), maior incidência de problemas neurológicos e outras doenças clínicas.


Além destes, de uma maneira geral (em todas as fases da vida) costumam ter déficit de atenção e concentração, hiperatividade, irritabilidade e/ou limiar de frustração rebaixado, predisposição maior para os transtornos mentais comorbidos (depressão, ansiedade, surtos, etc.), maior incidência de problemas neurológicos e outras doenças clínicas.

Principais dicas e informações:

Independe da causa, quanto mais cedo for preconizado um treinamento para as atividades da vida diária maiores são as chances de autonomia e autocuidados.

A proteção excessiva compromete ainda mais o desenvolvimento e/ou aquisição de capacidades para a vida.

A exclusão do convívio social piora sempre o potencial desse sujeito com retardo.

Uma boa estratégia é recompensar o esforço, permitir que, seja criança ou adulto retardado, o sujeito funcione no mais alto nível de sua capacidade na escola, trabalho e família.

O portador de retardo mental é capaz de relacionamentos afetuosos, portanto estimular sua socialização o quanto antes potencializa sua saúde mental.

O psicodiagnóstico feito pelo psicólogo pode ajudar muito no planejamento das estratégias de cuidado e propostas de treinamento.

Propostas de cuidados adequados:

A melhor proposta terapêutica para o retardo é o modelo de medicina preventiva, com prevenção e promoção da saúde. Sendo conduzida por uma equipe multiprofissional e adequada as singularidades do sujeito.

As famílias podem sentir-se perdidas ou sufocadas pala carga de cuidar de uma criança retardada. Dai a necessidade de ser empático e acolhedor.

É fundamental sempre deixar bem claro que o treinamento é útil, mas, curas milagrosas não existem. Portanto é sempre uma boa estratégia adequar às expectativas dos cuidadores

Exceto alguns transtornos físicos específicos e psiquiátricos, a função mental não será alterada, mesmo com tratamento médico.

A fragilidade psíquica favorece o surgimento de vários transtornos mentais e neurológicos que devem ser tratados concomitantemente, inclusive com medicações pertinentes.

Considere a idade mental do retardado ao planejar as atividades da vida diária. Respeite suas singularidades e capacidade de compreensão

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