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Transtornos mentais.

ANSIEDADE GENERALIZADA: a pessoa mostra-se inquieta e nervosa na maior parte do tempo, com preocupações excessivas, às vezes descabidas, por seis meses ou mais. Além disso, queixa-se de dores musculares, problemas no estômago ou outro órgão qualquer sem que o médico descubra a causa. Costuma sofrer antecipadamente com seu cotidiano, tem dificuldades de concentração, irrita-se facilmente com todos, não dorme direito e sente-se incapaz de relaxar. Portanto, age como se sempre estivesse ameaçada por algo. RISCOS: comprometimento acentuado da sua qualidade de vida

 

DEPRESSÃO: a pessoa perde o interesse pelas coisas de uma maneira geral, sente-se sem energia e nada tem graça no seu cotidiano. Parece cansado e faz tudo mais lentamente, com o corpo pesado e estranho, convive com uma sensação de tristeza intensa ou aperto no peito. Este quadro está estabelecido há, pelo menos, duas semanas e não melhora, pelo contrário, tende a piorar a cada dia. É comum pensar em morte, mesmo sem ter coragem para o suicídio, sente como se o morrer fosse a melhor solução. Com a evolução do caso, pode até planejar ou descuidar-se facilitando e negligenciando de forma a comprometer sua integridade física. Pode emagrecer e não dormir direito ou se alimentar. Para piorar sente-se culpado pelo que está sentindo ou proporcionando as pessoas próximas de si.
RISCO: o principal é a tentativa de suicídio, ou mesmo ações que comprometem sua integridade física, como, por exemplo, ficar desnutrido por não comer. Pode desenvolver outras doenças clínicas com evolução arrastada.

FOBIA ESPECÍFICA: a pessoa sente um medo intenso, desproporcional e sem fundamento pela presença (ou antecipação) de um objeto ou situação específica (animais, insetos, altura, chuva ou trovões, escuridão, voar, espaços fechados, usar banheiro público, comer certos alimentos, dentista, sangue ou ferimentos e exposição a doenças específicas). Estas situações são evitadas ou suportadas com verdadeiro pavor, sendo que a pessoa reconhece o exagero da reação, porém não consegue controla-la. De uma forma ou de outra, curiosamente ou sem perceber, a pessoa “se coloca” ou facilita sua exposição ao objeto (ou situação) que lhe traz pavor.
RISCO: crise de pânico e suas complicações.

 

TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO: a pessoa tem um sofrimento intenso por conta de pensamentos, imagens ou impulsos que percebe como intrusos e inadequados em sua mente. Consequentemente tenta se livrar desses pensamentos com outro pensamento ou ação. Também sofre em função de comportamentos, ações repetitivas ou rituais que não consegue deixar de fazer (checar algo ou uma tarefa várias vezes, limpeza, etc.). Esses chamados rituais, apesar de torturantes, tem o objetivo de amenizar sua ansiedade, porém apresentam-se desconectados da realidade. Ela também costuma tentar esconder esses atos em público e nem sempre procuram ajuda profissional. Além deste comportamento ritualizado há um sofrimento por conta da lentificação nas tarefas da vida diária, atitudes de esquiva, postura de antecipação catastrófica e, paradoxalmente, pode manter seu ambiente sujo ou desorganizado, apesar da compulsão contrária. No convívio social podem apresentar-se com enorme dificuldade de flexibilidade nas relações e posturas rígidas. Saliente-se que apesar de aparentar uma calma ou controle nas situações, internamente estas pessoas são extremamente ansiosas e tensas.
RISCO: comprometimento acentuado da vida social, não adesão ao tratamento, comprometimento acentuado da vida profissional, acadêmica ou familiar.

 

TRANSTORNO DE SOMATIZAÇÃO: a pessoa tem uma percepção de problema físico, porém avaliações médicas não conseguem justificá-lo. Geralmente estes sinais e sintomas pioram na vigência de conflitos emocionais, tensões ou situações afetivas mal resolvidas. Apesar de exames físicos e laboratoriais normais, a pessoa recusa-se em aceitar os resultados e persiste uma “saga” de várias consultas e tratamentos com profissionais de saúde buscando a causa de seu sofrimento. O quadro persiste por longo tempo com alto custo no uso de medicações e atendimentos médicos. Avaliando mais detalhadamente o contexto de vida desta pessoa consegue-se perceber um “ganho secundário” ou de atenção para si com a “doença” e, às vezes, alguma manipulação das relações interpessoais, compensação profissional, escape de responsabilidade e obtenção de cuidados de pessoas. Por outro lado, cabe ressaltar que estes mecanismos psíquicos são inconscientes e a pessoa não percebe ou age de maneira proposital.
RISCO: altos custos com tratamentos médicos inadequados, frustrantes e bastante onerosos. Comprometimento acentuado das relações afetivas.

 

TRANSTORNO HIPOCONDRÍACO: a pessoa tem uma preocupação constante de estar com alguma doença. Parece ter “mania de doença”. Tem a convicção sempre presente de que está sem com algum problema físico e, portanto, sempre busca avaliações e exames para identificar a causa. Por mais que as avaliações sejam negativas, recusa-se aceitar o fato, mesmo que isso seja dito ou explicado pelos médicos. Costuma haver uma piora em situações ou contextos estressantes e frequentemente está associado à depressão. Sua angústia e ansiedade quanto à possibilidade de um problema físico sério não têm nenhuma base ou coerência. Saliente-se que não há nenhuma alteração física presente, o que diferencia da somatização.
RISCO: gastos financeiros enormes com exames laboratoriais ou procedimentos médicos. Comprometimento acentuado da qualidade de vida. Evolução para quadros depressivos, mais graves.

 

TRANSTORNO DE AJUSTAMENTO: a pessoa apresenta reações emocionais decorrentes de situações do cotidiano e bastante comuns, como por exemplo, um rompimento amoroso. Não é um processo de luto por uma perda, mas uma reação exacerbada a um conflito iniciado há mais ou menos um mês e que perdura por pelo menos seis meses. O quadro clínico pode sugerir um episódio depressivo leve ou prolongado, quadros ansiosos, distúrbios de conduta com predominância de emoções que prejudicam seu convívio social. Costuma ocorrer em pessoas com grandes dificuldades de lidar com as perdas de uma maneira geral e que tem comprometida gravemente sua autoestima. Salienta-se que as crises ou rompimentos nos relacionamentos amorosos são uma das principais queixas que levam as pessoas a procurarem ajuda psiquiátrica ou psicológica. Geralmente a pessoa coloca expectativas exacerbadas em relação à ação da medicação por não suportar seu sofrimento. Cabe ao profissional sempre avaliar o custo/benefício da abordagem medicamentosa nestes casos, sendo que, se necessário, este uso seja por curto período de tempo.
RISCO: comprometimento acentuado das relações interpessoais e profissionais. Dificuldades duradouras em lidar com situações similares a desencadeante (por exemplo, um novo relacionamento amoroso).

 

TRANSTORNO DOLOROSO PERSISTENTE: a pessoa apresenta uma dor intensa, persistente e angustiante causada por conflitos emocionais ou problemas sociais que piora muito diante de situações estressantes. Os locais dolorosos costumam ser: cabeça, região lombar, região abdominal, região pélvica, face, membros inferiores e superiores, etc. Geralmente a preocupação desta pessoa é desgastante e compromete demasiadamente sua qualidade de vida. Os tratamentos clínicos propostos costumam não trazer melhora satisfatória tornando-se frustrante tanto para o profissional assistente como para o portador do transtorno. Também é comum a necessidade de uma equipe multiprofissional para atender as necessidades do caso, sendo fundamental uma avaliação rigorosa do contexto biopsicossocial. Saliente-se que as dores não são simulações ou consequências de outros transtornos mentais.
RISCOS: comprometimento acentuado da qualidade de vida. Gastos econômicos elevados com as propostas terapêuticas.

 

REAÇÃO AGUDA AO ESTRESSE: a pessoa tem uma vivência intensa de medo, sensação de impotência e horror decorrentes a exposição a um evento traumático. Sendo que neste evento envolveu morte ou sérios ferimentos reais e ameaçadores ou mesmo comprometimento da própria integridade física ou de outros próximos de si. Ela refere uma sensação de anestesia ou distanciamento ou mesmo ausência de uma resposta emocional à situação vivida. Assume uma postura de esquiva em relação às lembranças do fato. Geralmente surge acompanhada de sintomas acentuados de ansiedade, excitação psicomotora, comprometimento do sono e da capacidade de administrar o seu cotidiano. O quadro clínico tem duração mínima de dois dias e máxima de trinta dias. RISCO: comprometimento da consciência, crises de despersonalização ou desrealização (portanto com prejuízo da crítica e discernimento).

 

TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO: a pessoa relata lembranças desagradáveis de um evento traumático com duração superior a trinta dias. Informa recordações desconfortáveis recorrentes, sensação de imagens ou pensamentos intrusos em sua mente, sonhos ou pesadelos, ações e sentimentos como se estivesse vivendo a situação novamente. Assume postura de esquiva em relação a pensamentos, sentimentos ou lembranças do fato. Tem comprometimento ou incapacidade de se recordar com clareza do evento. Perde o interesse em socializar-se, sente-se distante e afastada das outras pessoas. Dificuldade em conciliar e manter o sono, perda da concentração, resposta exacerbada a eventos do cotidiano, postura hiper vigilante e insegura com atitudes de sobressalto. Os estressores neste caso são de grande magnitude (crimes violentos, acidentes, catástrofes, cativeiro, perdas complicadas e inesperadas). RISCO: atitudes impulsivas e descabidas, crises de despersonalização e comprometimento da capacidade de crítica e discernimento.

 

CONVERSÃO: a pessoa perde ou altera algum funcionamento físico, por exemplo, dos órgãos dos sentidos (visão, audição, tato, olfato, etc.) ou de locomoção (marcha) após evidente causa emocional. Algumas crises podem ser confundidas com convulsão ou outros problemas neurológicos graves. A alteração é transitória ou enquanto os fatores estressores permanecem. Os quadros mais comuns são: movimentos involuntários, tiques, marcha anormal, quedas, paralisia, fraqueza nos membros, perda da fala, vômitos, diarreia, etc. e os sintomas sensoriais (cegueira, anestesia, visão em túnel ou embasada, surdez, etc.). Saliente-se que os conflitos psíquicos desencadeantes são inconscientes
RISCO: comprometimento acentuado da capacidade de crítica e discernimento, das relações interpessoais e da capacidade profissional. Tratamentos médicos inadequados e onerosos.

 

EPISÓDIO MANIACO OU EUFÓRICO: a pessoa tem sensação de bem estar intenso, com humor elevado e, consequente, aceleração da mente e da psicomotricidade. Sente-se mais disposta, assumindo posturas de valentia diante do ambiente. Costuma ter o comportamento arrogante com sensação de poder e "engrandecimento” de si mesmo. Não dá ouvidos aos outros, fala rapidamente e muda de assunto o tempo todo. Autoestima bastante elevada, ideias super otimistas (muitas vezes descabidas). Exageradamente amorosa ou agressiva. Não sente necessidade de dormir ou comer. Pode haver desinibição social e sexual, assumindo condutas inadequadas ou constrangedoras. Pode torna-se violenta colocando em risco sua integridade física e das outras pessoas próximas.
RISCO: o quadro pode agravar-se intensamente, pois a pessoa não procura ajuda médica por acreditar ser característica de personalidade e ter uma sensação de bem estar. Comprometimento acentuado da vida profissional, familiar e social. Há risco de suicídio.